“Leilão bilionário da CAGEPA vira alvo de suspeitas: bastidores apontam ‘jogo combinado’ e possível financiamento de campanha de Lucas Ribeiro”


Nos bastidores da política paraibana, começa a ganhar corpo uma pergunta incômoda: o futuro leilão de serviços da CAGEPA já teria vencedor antes mesmo de acontecer?

A dúvida circula com força depois da decisão do governo estadual de adiar o certame originalmente previsto para 31 de março, transferindo-o para 15 de maio. A justificativa oficial fala em ajustes no edital para permitir a participação de mais empresas. Mas, na política, raramente uma mudança dessa magnitude acontece sem levantar sobrancelhas.Nos corredores do poder, comenta-se que o adiamento teria ocorrido após uma suposta articulação do deputado federal Agnaldo Ribeiro, figura central no grupo político que gravita em torno do atual governo. Agnaldo, além de experiente operador político, é tio do atual vice-governador Lucas Ribeiro, que deverá assumir o comando do Estado em abril.

Com Lucas no cargo — e já em ritmo de pré-campanha ao governo — o leilão da Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (CAGEPA), estimado em cerca de R$ 3 bilhões em investimentos ao longo de 25 anos, passaria a ocorrer sob sua gestão direta.

E é exatamente aí que surgem as especulações.

Nos bastidores, comenta-se que o edital poderia sofrer ajustes estratégicos, abrindo espaço para novas empresas e, segundo críticos, possivelmente moldando as regras para favorecer determinados grupos empresariais. Daí a pergunta que ecoa em rodas políticas: seria apenas uma reorganização técnica ou o início de um jogo de cartas marcadas?

Nada disso, claro, foi oficialmente comprovado. Mas a história da política brasileira mostra que licitações bilionárias costumam atrair interesses igualmente gigantescos — e nem sempre transparentes.

Outro ponto que chama atenção é o tradicional entrelaçamento entre grandes contratos públicos e financiamento de campanhas eleitorais. Apesar do fundo eleitoral bilionário que abastece as disputas políticas, doações empresariais — diretas ou indiretas — continuam sendo tema recorrente nos bastidores das eleições.

Assim, cresce o burburinho de que a empresa que eventualmente sair vencedora do leilão da CAGEPA poderia aparecer, mais adiante, entre os apoiadores financeiros da campanha de Lucas Ribeiro ao governo do Estado. Coincidência? Apoio político legítimo? Ou apenas mais um capítulo da velha engrenagem entre negócios e poder?

Enquanto isso, outra discussão começa a ganhar força fora dos gabinetes: a própria necessidade da parceria público-privada.

A CAGEPA, segundo especialistas do setor, é uma empresa superavitária, o que levanta a pergunta inevitável: seria realmente necessário transferir parte de seus serviços à iniciativa privada?

Para críticos da medida, o receio é que essa PPP seja apenas o primeiro passo para uma futura privatização da companhia, repetindo um roteiro já visto em outros setores.

O exemplo mais citado é o da antiga SAELPA, privatizada anos atrás e frequentemente lembrada por consumidores quando o assunto são tarifas elevadas de energia.

Diante de cifras bilionárias, interesses políticos e possíveis impactos sobre um serviço essencial, cresce o coro de quem defende mais transparência e debate público antes da realização do leilão.

No fim das contas, a pergunta que permanece no ar não vem dos gabinetes, mas das ruas:

o futuro da água e do saneamento da Paraíba será decidido com total transparência ou apenas nos bastidores do poder?

leia58.blog


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