Aliado de Hugo Motta sob escrutínio: cifras milionárias desafiam versão oficial e exigem explicações à CPMI do INSS

 


Foto: Arte Metropoles

A engrenagem política que orbita o deputado :Hugo Motta (Republicanos-PB) volta a ranger sob o peso de revelações incômodas. Um de seus correligionários mais próximos, conhecido como Júnior do Peixe, terá de comparecer à CPMI do INSS para lançar luz sobre uma movimentação bancária que ultrapassa, com folga desconcertante, qualquer lógica salarial compatível com sua antiga função.

Ex-assessor do gabinete do atual presidente da Câmara Federal, Júnior do Peixe viu sua conta bancária ser irrigada por valores que destoam brutalmente da modéstia remuneratória típica do cargo que ocupava. A discrepância não é sutil; é gritante. Enquanto percebia pouco mais de três mil reais líquidos por mês, transitavam por suas contas cifras que alcançaram R$ 3,1 milhões em apenas seis meses.

O portal Metrópoles trouxe à tona uma reportagem extensa detalhando as transações atribuídas ao aliado político. Os dados, encaminhados pelo COAF à CPMI do INSS, revelam que entre outubro de 2020 e março de 2021 ingressaram R$ 1.590.678,81 oriundos de terceiros, ao passo que R$ 1.573.766,84 foram redirecionados a outras contas. Um fluxo financeiro que lembra mais uma engrenagem de intermediação do que a rotina de um assessor parlamentar de base.

Jerônimo Arlindo da Silva Júnior, o Júnior do Peixe, não apenas integrou o gabinete de Hugo Motta, como também exerceu função de dirigente na Conafer — entidade que desponta entre as mais investigadas no escândalo conhecido como “Farra do INSS”. Segundo apurações da Polícia Federal, a instituição arrecadou quase R$ 800 milhões entre 2022 e 2025 por meio de descontos aplicados a aposentadorias, sendo que aproximadamente 90% desse montante teria sido direcionado a empresas de fachada.

À época dos fatos, Júnior ocupava o cargo de Secretário Parlamentar 5 (SP-05), um dos níveis mais elementares da estrutura da Câmara, com rendimento líquido mensal de R$ 3,3 mil. O contraste entre salário e movimentação financeira não apenas chama atenção — ele impõe questionamentos inevitáveis. Em maio de 2025, por meio de nota publicada em seu Instagram, o ex-assessor afirmou que não mantinha vínculo com a Conafer enquanto atuava no gabinete de Hugo Motta, sustentando que apenas após sua exoneração passou a exercer função na entidade.

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Alegou ter solicitado desligamento do cargo parlamentar para evitar acúmulo indevido de funções públicas, assumindo então a diretoria de políticas públicas da instituição.

Desde sua saída da Câmara, a única fonte de renda oficialmente declarada por Júnior do Peixe à Receita Federal passou a ser um salário de R$ 4,3 mil pagos pela Prefeitura de João Pessoa. Não consta, nos registros fiscais, participação societária em empresas que pudesse justificar o robusto giro financeiro identificado. Em sua candidatura à Prefeitura de Marizópolis, nas eleições municipais de 2024 pelo Republicanos, declarou patrimônio de R$ 470 mil — valor distante de explicar a engrenagem milionária anteriormente movimentada.

Atualmente vinculado ao governo da Paraíba, Júnior do Peixe já mencionou Hugo Motta como seu “aliado” político em manifestações públicas recentes. Procurados, ambos optaram pelo silêncio até o fechamento das informações. O que resta, portanto, é a necessidade imperativa de esclarecimento. Se os valores pertencem legitimamente ao ex-assessor, que se apresentem documentos, contratos e justificativas. Caso contrário, as autoridades terão de compreender qual foi — e é — o exato papel de Júnior do Peixe na arquitetura financeira que envolve o escândalo do INSS.

Em tempos de desconfiança institucional, a transparência deixa de ser virtude e passa a ser obrigação.

leia58.blog com Metrópoles

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