Banco Master vira fantasma na chapa governista e já se comenta a desistência de Nabor para fora da disputa ao Senado
A crise começou a rondar com mais força os bastidores da base do governador João Azevêdo. E, no epicentro do abalo político, está o nome do prefeito de Patos, Nabor Wanderley, que já teria sido alertado por aliados sobre os riscos reais de manter de pé sua pretensão de disputar uma vaga no Senado Federal.
Informações colhidas nos corredores do Palácio Clóvis Satyro e da própria Prefeitura de Patos apontam que cresce, nos bastidores, a possibilidade de Nabor simplesmente recuar da candidatura. O motivo seria o desgaste provocado pelas novas revelações envolvendo o escândalo do Banco Master, que atingem em cheio o seu filho, o deputado federal Hugo Motta, presidente da Câmara e principal comandante do Republicanos na Paraíba.
A redação buscou confirmação da informação, mas, como de costume quando o terreno é movediço, auxiliares do prefeito preferiram a velha tática da desconversa. Ninguém confirma. Ninguém nega. Mas o silêncio, nesses casos, fala alto.
O que caiu como uma verdadeira bomba no meio político foi a notícia do empréstimo milionário, na casa dos R$ 22 milhões, feito pelo Banco Master a Bianca Medeiros, cunhada de Hugo Motta, para a aquisição de uma área valiosa em João Pessoa, onde funcionou no passado a antiga CIMEPAR. O episódio acendeu o alerta máximo entre aliados, adversários e observadores da cena política paraibana.
Nos bastidores, o receio é claro: novas revelações sobre a relação entre Hugo Motta e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso e cercado de suspeitas, podem produzir um estrago ainda maior. E, diante desse risco, Nabor estaria sendo aconselhado a não trocar a segurança do mandato de prefeito por uma aventura eleitoral de final imprevisível.
Prestando-se a deixar a Prefeitura possivelmente em 2 de abril, Nabor também corre contra o tempo para tentar entregar obras e passar uma imagem administrativa minimamente organizada. Entre elas está o arrastado e interminável Teatro Municipal, que virou símbolo de promessa empacada. O problema é que, no meio da fumaça política, sair agora da prefeitura pode ser um salto no escuro.
Um auxiliar próximo do prefeito resumiu o clima com franqueza: “Deixar a Prefeitura num quadro de incertezas é algo muito arriscado.”
E a preocupação não para em Patos. No entorno do governador João Azevêdo, o temor também já se instalou. Isso porque qualquer nova pancada contra Hugo Motta pode contaminar a chapa governista inteira, atingindo não apenas Nabor, mas também o vice-governador Lucas Ribeiro, apontado como nome do grupo para a disputa ao Palácio da Redenção.
Se Nabor realmente desistir, o prejuízo político será enorme para a chamada tríplice aliança formada por Republicanos, PP e PSB. Seria mais do que uma baixa: seria a confissão silenciosa de que o escândalo deixou de ser um incômodo periférico e passou a ameaçar o coração do projeto eleitoral governista.
Nos bastidores, a desconfiança é ainda mais venenosa. Há quem enxergue no empréstimo concedido à cunhada de Hugo Motta não uma simples operação financeira, mas um arranjo com cara de favor graúdo, desses que a política finge não ver até a conta estourar no colo de alguém. É justamente aí que mora o veneno do caso.
Com a movimentação do Ministério Público Federal junto ao Tribunal de Contas da União, buscando esclarecimentos sobre o contrato firmado entre Bianca Medeiros e o Banco Master, a expectativa é que a névoa comece a se dissipar. Ou fique ainda mais espessa, dependendo do que aparecer.
Nesse contexto, o maior interessado em ver tudo esclarecido deveria ser o próprio Hugo Motta. Sobretudo porque pesa sobre ele a cobrança por sua postura em relação à instalação de uma CPI para apurar o escândalo, algo que até agora não avançou como parte da opinião pública esperava.
Por responsabilidade jornalística, o espaço segue aberto para que o prefeito Nabor Wanderley se manifeste sobre a possibilidade de desistir da disputa ao Senado. Mas uma coisa é inegável: o comentário já circula com força, o desgaste já se instalou, e a desconfiança pública não pede licença para crescer.
As pesquisas, segundo aliados e adversários, não têm sido animadoras. E o ambiente político deixa claro que os desdobramentos do caso envolvendo Hugo Motta já começam a respingar de forma mais ampla sobre a família Motta/Wanderley. Somam-se a isso os questionamentos que Nabor enfrenta em sua gestão, tanto no campo administrativo quanto no político, além das cobranças de órgãos de controle e da insatisfação de parte da população de Patos.
No fim das contas, a pergunta que ecoa nos bastidores é simples e incômoda: vale a pena deixar a prefeitura para enfrentar uma disputa cercada de incertezas, desgaste e suspeitas?
E mais: se a turbulência for forte o bastante para derrubar a candidatura de Nabor, haverá quem passe a defender que o próprio João Azevêdo reveja seus planos, abandone o salto eleitoral e conclua o mandato de governador até o fim. Porque quando a fumaça sobe demais, até os mais experientes começam a procurar a saída de emergência.
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