Silêncio que ensurdece: o que temem Hugo Motta e Davi Alcolumbre no escândalo do Banco Master?
O que leva os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, a barrar a instalação de uma CPI Mista para investigar o escândalo do Banco Master? Essa é a pergunta que ecoa nos corredores de Brasília e começa a ganhar força na opinião pública.
Ao resistirem à criação da Comissão Parlamentar de Inquérito — mesmo diante da assinatura de deputados e senadores favoráveis à investigação — os dois chefes do Legislativo colocam sob suspeita não apenas suas decisões políticas, mas também suas motivações. Afinal, trata-se de um caso que ultrapassa os limites de um banco privado e alcança o coração do sistema financeiro nacional.
A recusa em instalar a CPI afronta dois pilares básicos: o respeito à maioria parlamentar e a obrigação de dar transparência a um dos maiores escândalos recentes do mercado financeiro. A omissão, neste contexto, deixa de ser apenas uma postura administrativa e passa a ser interpretada como um gesto político carregado de consequências.
Enquanto isso, as investigações conduzidas sob a direção institucional da Polícia Federal avançam. O caso já respingou no Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli foi afastado da relatoria do processo após questionamentos sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A suspeição levantada expôs vínculos pessoais e comerciais considerados incompatíveis com a condução do caso.
Se até um ministro do Supremo Tribunal Federal teve sua atuação revista diante da pressão institucional, por que o Congresso Nacional hesita em permitir que os fatos sejam apurados com a mesma transparência?
O Banco Master, que acabou liquidado pelo Banco Central do Brasil, tornou-se símbolo de um episódio que ainda guarda muitas sombras. E, quando há sombras demais, a sociedade exige luz — não cortinas fechadas.
Se as investigações demonstrarem que houve qualquer tipo de relação imprópria entre parlamentares e os envolvidos no caso, as consequências poderão ser graves, inclusive com risco de desgaste político capaz de comprometer as presidências das Casas Legislativas. A história recente mostra que cargos de comando não são escudos contra a responsabilização.
No fim das contas, a pergunta permanece: por que tanto receio de investigar?
O Brasil aguarda respostas. E Hugo Motta e Davi Alcolumbre devem explicações claras ao povo que dizem representar.
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