Se Arraes Estivesse Vivo, João Azevêdo Não Ficaria no PSB, Dizem Críticos da Aliança com PP e Republicanos

 


A memória de Miguel Arraes volta ao centro do debate político na Paraíba. Fundador do PSB, ex-governador de Pernambuco e uma das principais lideranças de esquerda do país, Arraes construiu sua trajetória em confronto direto com grupos conservadores e latifundiários, sobretudo na defesa dos trabalhadores do campo. Para setores críticos dentro e fora do partido, se estivesse vivo, ele não permitiria a atual aliança celebrada pelo governador João Azevêdo com PP e Republicanos.

Cassado pelo regime militar em 1964, Arraes retornou à vida pública com força, reelegeu-se governador de Pernambuco e exerceu mandatos como deputado federal. Seu legado político segue vivo por meio de seu neto, João Campos, prefeito do Recife, filho do ex-governador Eduardo Campos.

A crítica central recai sobre o que consideram uma contradição histórica: o PSB, partido que nasceu vinculado às causas populares e às lutas camponesas, agora compõe aliança com grupos identificados como conservadores. Entre os pontos mais sensíveis está a presença do vice-governador Lucas Ribeiro, apontado como herdeiro político de uma família tradicional ligada ao latifúndio paraibano.

O debate ganha contornos ainda mais intensos quando se resgata a história das Ligas Camponesas. João Pedro Teixeira e Margarida Maria Alves, símbolos da luta pela reforma agrária e pelos direitos dos trabalhadores rurais, são lembrados como mártires assassinados em meio a conflitos fundiários. João Pedro, aliado do ex-deputado Francisco Julião — fundador das Ligas Camponesas e próximo de Arraes — tornou-se um dos principais rostos da resistência contra as condições impostas aos trabalhadores da cana-de-açúcar e do algodão.

Investigações históricas sobre o assassinato de João Pedro apontaram suspeitas envolvendo grandes proprietários rurais da época, tema que permanece sensível e controverso na memória política do estado.

Críticos afirmam que João Azevêdo não possui vínculos com essa trajetória histórica das Ligas Camponesas e que a atual composição partidária representa um afastamento das origens ideológicas do PSB. Para eles, Arraes teria reagido com firmeza a esse movimento, podendo inclusive intervir na condução partidária.

A publicação do chamado “Dossiê Grupo da Várzea” surge, segundo seus defensores, como instrumento para fomentar o debate público e relembrar episódios que marcaram profundamente a história política e social da Paraíba. A figura de Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro, é evocada como símbolo de resistência e memória das lutas no campo.

O embate, mais do que eleitoral, coloca em discussão o rumo ideológico do PSB e a coerência entre seu passado histórico e suas alianças atuais.

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