Diego Tavares troca de lado e reforça tese do oportunismo na política paraibana


 Diego Tavares é o retrato acabado de uma carreira moldada pela conveniência. Não construiu identidade ideológica, não fincou bandeira, não deixou marca programática. Sua trajetória no cenário político-partidário sempre orbitou em torno de interesses pessoais — jamais de causas coletivas.

Ao anunciar que permanece no PP sob a órbita da família Ribeiro — Aguinaldo RibeiroDaniella Ribeiro e Lucas Ribeiro — Diego não surpreende. Apenas confirma o roteiro previsível de quem sempre buscou abrigo onde houvesse conveniência.

Para o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, a saída não representa baixa estratégica. Diego foi secretário por seis anos, mas nunca se consolidou como liderança de densidade eleitoral própria. Sua condição de suplente da senadora Daniella Ribeiro decorreu muito mais do prestígio político de Cícero do que de capital eleitoral próprio.

Agora, ao trocar o grupo do prefeito pela família Ribeiro, é evidente que há compensações de ordem pessoal em jogo. Especula-se, inclusive, sobre a possibilidade de assumir temporariamente o Senado caso Daniella se afaste para eventual projeto eleitoral ligado a Lucas Ribeiro. Se isso ocorrer, Diego não representará uma renovação ou avanço político — será apenas a extensão de um arranjo que pouco entregou à Paraíba.

Em quase oito anos de mandato, a atuação da senadora não empolgou nem marcou. E Diego, caso sente na cadeira, apenas ilustrará a continuidade de uma política sem brilho, sem obras emblemáticas e sem entregas estruturantes ao povo paraibano.

Cícero Lucena, portanto, não perde um quadro estratégico. Não se perde o que nunca se teve de fato como liderança consolidada. Diego Tavares jamais foi protagonista — sempre transitou como figura de gabinete, hábil em articulações que favorecem projetos pessoais.

Sua decisão não choca, não espanta e tampouco altera o tabuleiro político de forma significativa. Apenas reafirma um fenômeno cada vez mais comum: o fisiologismo acima das convicções, o interesse pessoal acima do compromisso coletivo.

No fim das contas, Diego Tavares não inaugura nada. Apenas confirma que, na política paraibana, ainda há quem troque convicções por conveniências — e chame isso de estratégia.

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